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Cirurgia Vídeolaparoscópica

A Cirurgia, como todas as áreas da sociedade tem progredido muito. Com o advento da Anestesia e auxiliados pela Cirurgia Experimental, a Cirurgia cresceu vertiginosamente em todas as áreas. A associação da alta tecnologia com a "miniatuarização" de equipamentos de imagem proporcionaram uma verdadeira revolução nos procedimentos cirúrgicos. Inicialmente na Laparoscopia Diagnostica, que consiste na observação do interior das cavidades naturais, muito usadas na Ginecologia, mais recentemente chegamos ao uso na Cirurgia Geral, utilizando-se da Vídeo Lapararoscopia, que introduziu novos termos e novas opções, abrindo um horizonte infinito à nossa frente.

Através de pequenos orifícios, entre 5 e 10mm, são introduzidos os "trocartes" (capas), e através destes, uma infinidade de pinças e instrumentos especialmente criados para este tipo de cirurgia, em muitos casos adaptações de instrumentos usados durante anos na cirurgia convencional. Visando proporcionar um maior espaço para o trabalho da cirurgia, desenvolveram-se aparelhos insufladores de gases, preferencialmente o gás carbônico, que administram constantemente gases na cavidade, mantendo-a "insuflada", como um balão, permitindo então o trabalho do cirurgião. A visão do interior da cavidade a ser abordada é feita por um complexo sistema de reprodução de imagem, constituído por uma óptica com visão variando entre 0 e 45 graus de incidência, acoplados a uma micro-camera, que após captar as imagens às expõe em um monitor, semelhante a um aparelho de televisão. Para uma adequada iluminação, desenvolveu-se sistemas especiais de luz fria e branca, para não haver aquecimento inadequado das delicadas estruturas internas e nem alteração visual dos órgãos internos, o que poderia resultar em erros de procedimento, com a luz sendo transportada através de cabos de fibra óptica de um instrumento ao outro.

Para facilitar a ligadura (amarra) de vasos sangüíneos e estruturas que necessitassem serem fechadas durante as cirurgias, adaptou-se os "clipes" de metal, o titânio. Para as anastomoses, como são tecnicamente chamadas as emendas feitas pelo cirurgião entre as estruturas separadas na cirurgia, houve a adaptação do "stapler", que é um tipo de "grampeador", que substitui os pontos antes feitos manualmente. Como pode-se observar, este método é a junção de grandes avanços tecnológicos, adaptados ou desenvolvidos especialmente para este fim. Esta seguramente é uma das explicações por que só agora este tão grande benefício está a disposição dos pacientes.

Inicialmente recebida com ceticismo, a Vídeo Laparoscopia cresceu e difundiu-se com uma velocidade espantosa. Primeiramente na Europa e quase que simultaneamente nos Estados Unidos e no Brasil, inúmeros centros e relatos começaram a ser apresentados de casos operados e novas cirurgias que poderiam ser realizadas por este método com a formação de ótimos profissionais. Tanto que é impossível hoje se falar em abordagem cirúrgica sem pensar em Vídeo Laparoscopia. Seja no abdome, no tórax, útero, quase tudo enfim. Os preceitos para a cirurgia do câncer estão bem estabelecidos e já bem aceitos. Na virada do século, o desafio brasileiro é baixar custos e formar cirurgiões por vídeo Laparoscopia que saibam também operar por via convencional. Não se discute mais se o método é bom ou não e sim como adapta-lo a realidade tupiniquin e treinar tantos em tão pouco tempo, com a segurança necessária.

E a evolução continua. Já há relatos do uso dos micro-laparoscópios, com o absurdo tamanho de 1,75 mm e de instrumentais tão pequenos quanto. Na Bélgica, a Bioengenharia já tem protótipos de robôs sendo dirigidos à distancia pelos cirurgiões, numa tentativa de garantir o acesso as novas tecnologias em vilarejos distantes ou até, quem sabe, garantir bons cirurgiões em bases espaciais. O que disto tudo irá ficar só o tempo dirá, mas seguramente já podemos afirmar que o século dos "grandes cirurgiões, grandes incisões", definitivamente acabou. Mesmo no nosso sofrido terceiro mundo..

 

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